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Golpe da falsa central do banco: o banco tinha de travar o dinheiro?

Neste artigo você descobre como funciona o golpe da falsa central e como se proteger caso ele aconteça com você.

Por Macel Guimarães Gonçalves3 min de leitura
idosa recebendo ligação suspeita no golpe da falsa central

Uma das formas de golpe que mais tem gerado prejuízos a correntistas bancários de todo o país é o golpe da falsa central eletrônica.

Você recebe uma ligação (as vezes, na tela aparece até o número telefônico do próprio banco), alguém do outro lado da linha se apresenta como integrante do setor de segurança do banco e diz que você precisa fazer algumas operações, acessar algum link ou instalar um aplicativo pra proteger sua conta de movimentações indevidas.

Com isso, eles acessam a conta e realizam as movimentações não autorizadas, pois o cliente achava que estava realmente falando com o banco e foi manipulado a realizar aquelas manobras sob pressão.

O número que aparece na tela é o 0800 do banco. Quem liga sabe o seu nome, o seu CPF e até o saldo da sua conta. Diz que precisa "atualizar a segurança" da conta e manda um link.

Em 40 minutos, saem 9 Pix, 7 boletos e um empréstimo que você não autorizou.

E a resposta do banco vem pronta: "foi com a sua senha, não identificamos irregularidades e não haverá ressarcimento dos valores".

Abaixo você encontrará 4 perguntas que você pode e deve fazer ao banco em casos assim. Se ele não tiver as respostas e se as movimentações fugirem do padrão da sua conta, é possível questionar a falha de segurança do banco por meio de uma ação judicial para buscar o ressarcimento dos valores perdidos.

As 4 perguntas certas

A pergunta não é se as operações aconteceram por meio da senha certa. As perguntas adequadas são estas:

  1. Esses valores combinam com o jeito que você usa a conta?
  2. 9 Pix seguidos para contas novas: por que o banco não travou?
  3. 7 boletos em 50 segundos: não teve nenhum alerta?
  4. Quando você avisou, o banco acionou o MED na hora?

O banco conhece o seu jeito de usar a conta: quanto você movimenta, para quem, com que frequência. Uma sequência de operações como essa foge do normal de quase qualquer conta, e o sistema de segurança deveria perceber.

O que a Justiça tem decidido

Já há decisões nesse sentido:

  • um banco foi condenado a pagar R$ 317,2 mil por não bloquear 22 Pix em sequência (10ª Vara Cível de Campinas/SP);
  • o TJMT decidiu que a senha pessoal não afasta a responsabilidade do banco quando o monitoramento falha.

O que fazer se aconteceu com você

  • Conteste as operações no seu banco o quanto antes, pelo aplicativo ou pelo canal oficial. No Pix, isso aciona o MED (Mecanismo Especial de Devolução).
  • Anote o protocolo e os horários: quando você percebeu o golpe e quando avisou o banco.
  • Faça as 4 perguntas acima por escrito e guarde a resposta do banco.
  • Guarde o extrato dos meses anteriores: é ele que mostra o seu padrão.

Perguntas frequentes

O número do banco apareceu na tela. Então era o banco? Não necessariamente. No golpe da falsa central, a ligação aparece com o 0800 do banco, mas quem está do outro lado é o golpista.

O banco disse que foi com a minha senha. Acabou? Não. Num golpe assim, pesa o padrão da sua conta. Se as operações fugiram dele e o banco não travou, isso conta na análise.

O que perguntar ao banco? Se os valores combinam com o seu uso da conta, por que vários Pix seguidos para contas novas não foram travados, por que não houve alerta nos boletos e se o MED foi acionado assim que você avisou.


Cada caso precisa ser analisado com os documentos dele.

Sobre o autor: Macel Guimarães é advogado há 15 anos (OAB/MG 131.717) e defende vítimas de golpes online e fraudes bancárias. Instagram: @macelguimaraes.adv.

Aconteceu com você ou com alguém que você conhece? Mande este artigo para essa pessoa.

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