
Os golpes bancários digitais estão ocorrendo num verdadeiro surto no Brasil.
Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha mostrou que 14,3% dos brasileiros caíram em golpe com Pix ou boleto falso entre julho de 2024 e julho de 2025. As perdas com fraude bancária foram estimadas em quase R$ 38 bilhões. Os idosos são o alvo preferido, mas a cada dia os golpistas buscam atingir novos perfis de vítimas e classe sociais.
Se você conhece alguém que já caiu num golpe, você não está sozinho. Pelos números, é bem provável que alguém da sua família, do seu trabalho ou da sua rua já tenha passado por isso.
Abaixo, eu mostro os números, explico por que é tão difícil pegar o estelionatário e o que você pode fazer para se proteger.
Os números dos golpes bancários no Brasil
Segundo a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, em um ano 14,3% dos brasileiros sofreram Golpe com Pix ou boleto falso, 8,0% foram vítimas de fraude no cartão de crédito. Sem falar nos golpes de investimentos divulgados na internet e redes sociais, que vitimaram 7,4% das pessoas, além de fraude na conta corrente ou poupança, com 6,5%.
Os idosos são o alvo preferido
Uma pesquisa do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2025 ouviu mais de mil idosos e familiares. O resultado mostra o tamanho do problema:
- 51% dos idosos recebem mensagens ou ligações suspeitas todos os dias;
- quase 40% já foram procurados por golpistas que se passavam por banco ou empresa de telefonia;
- 34% perderam dinheiro em golpes aplicados pelo celular;
- só 36,6% receberam do próprio banco alguma orientação sobre golpes.
Ou seja: os golpistas falam com os idosos todo dia, e a maioria nunca recebeu orientação do banco.
Um alerta importante: a cada dia os golpistas tem sofisticado sua forma de atuar, expandindo seus alvos para pessoas mais jovens e de diversas classes sociais.
Por que é tão difícil pegar o golpista
- O número que aparece na tela pode ser falso. Os golpistas usam uma técnica que faz a ligação parecer vir de outro número, inclusive do banco.
- Bloquear o número não resolve. Eles trocam de chip com facilidade.
- Muitos boletins de ocorrência não se transformam em investigação. As grandes quadrilhas são investigadas, mas o caso de cada vítima, sozinho, costuma ter pouca resposta.
E o banco, tem alguma responsabilidade?
O Superior Tribunal de Justiça tem uma súmula, a de número 479, que diz que o banco responde por fraudes de terceiros ligadas às suas operações. Na prática, a resposta depende de cada caso. O que costuma pesar é se as operações fugiram do seu jeito normal de usar a conta e como o banco reagiu quando você pediu ajuda.
Como se proteger dos golpes bancários
- Desconfie da pressa. Golpista sempre diz que você precisa agir agora.
- Banco não pede transferência para "conta segura". Se pediram, é golpe.
- Desligue e ligue você para o número que está atrás do seu cartão.
- Confira o nome de quem vai receber o Pix antes de confirmar.
- Converse com os idosos da sua família. Muitos nunca receberam essa orientação.
Se você já caiu num golpe
- Avise o seu banco na hora e conteste a operação. No Pix, isso aciona o MED (Mecanismo Especial de Devolução).
- Anote o protocolo e os horários.
- Registre o boletim de ocorrência. Mesmo que a investigação demore, ele é um documento importante.
- Guarde prints, comprovantes e a resposta do banco por escrito.
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros caem em golpe bancário? Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, 14,3% dos brasileiros caíram em golpe com Pix ou boleto falso entre julho de 2024 e julho de 2025.
Quanto dinheiro se perde com fraude bancária no Brasil? O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou perdas de cerca de R$ 37,9 bilhões, com prejuízo médio de R$ 3.448 por vítima.
Por que os idosos são as maiores vítimas? Eles recebem contatos suspeitos com muita frequência. Pela pesquisa do TCU, 51% recebem ligações ou mensagens suspeitas todos os dias, e só 36,6% receberam orientação do banco.
O banco é obrigado a devolver o dinheiro do golpe? Depende do caso. A Súmula 479 do STJ diz que o banco responde por fraudes ligadas às suas operações, mas a análise leva em conta o padrão da sua conta e a reação do banco.
Vale a pena fazer boletim de ocorrência? Sim. Mesmo que a investigação demore, o boletim registra o que aconteceu e serve como documento.
Cada caso depende da análise específica dos fatos e dos documentos. O que eu mostrei aqui é um panorama geral.
Sobre o autor: Macel Guimarães é advogado há 15 anos (OAB/MG 131.717) e defende vítimas de golpes online e fraudes bancárias. YouTube: @macelguimaraesadvocacia · Instagram: @macelguimaraes.adv
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